Em Portugal e no Brasil se fala
português. Mas há muitas diferenças na
maneira de usar a língua lá e cá. Por exemplo: se um brasileiro for a Portugal
e quiser tomar café com leite ou um “pingado” como se diz por aqui, ele tem
várias outras maneiras de pedir sua bebida.
Pode pedir um “garoto” – é um café com leite
servido em uma xícara de café (pequena), meio a meio, isto é, com a mesma
proporção de café e leite. Se quiser a
mesma bebida, mas em porção maior, servida em uma xícara de chá, deve pedir uma
“meia”. Se quiser tomar um café com leite
mais claro, com três partes de leite para uma de café, deve pedir um “galão”. E se quiser só café, um “café preto”, como se
diz no Brasil, deve pedir um “café cheio”. E há muitos outros exemplos de
diferenças no léxico.
Folheando uma revista de moda feminina,
você poderá encontrar expressões como:
“vestido cai cai” (é o nosso tomara-que-caia); “sandálias em pele”
(de couro); “calções bem curtos”
(shorts bem curtos) “fatos de banho” (roupa de banho ou maiô); ”sandálias
rasas” (rasteira).
O escritor brasileiro Mário Prata publicou
um dicionário com diferenças de vocabulário entre o português europeu e o
português do Brasil, que lhe chamaram a atenção nos anos em que morou em
Portugal. Seu estilo é muito diferente
do que se encontra em um dicionário tradicional, porque há muito humor nos seus
verbetes. Você conhece a palavra “autoclismo”? É uma palavra corrente em Portugal. Veja como Mário Prata (2011, p.33) inicia o
verbete referente a esse termo:
“Autoclismo. Imagine que você está no banheiro de um restaurante e o cartaz lhe diz, à entrada: por
favor, não esqueça de carregar no autoclismo da retrete. Pode ser traumatizante. Preocupe-se: o que ele quer dizer é para você
dar a descarga”.
Acho que você descobriu que “retrete”
que ocorre no texto, é privada. Noll (2008),
em um estudo sobre o português do Brasil, inclui uma lista de diferenças
lexicais entre o português europeu e o português usado em nosso país. Citamos alguns exemplos: ao falar ao
telefone, os portugueses usam “está lá?”, em vez do nosso alô;
para alavanca de câmbio, usam “alavanca de velocidades”; para
aeromoça, usam “hospedeira”; para moça,
usam “rapariga”;
para Papai Noel, usam “Papai Natal”; em vez de celular,
dizem “telemóvel”; em vez de secretária eletrônica, dizem “atendedor
de chamadas”; em vez de
frentista, dizem “gasolineiro”; para trem, usam “comboio”; o que chamam
de “rebuçado”
é a nossa bala (doce); o que chamam de “bicha” é a nossa fila; para se
referir a um cara, usam um “gajo”; favela chamam de “bairro
de latas; meias (de cano curto), chamam de “peúgas”; cadarços,
chamam de “atacadores”. Ainda
quanto ao léxico observa-se que usamos mais empréstimos do inglês do que os
portugueses. Por exemplo: usamos mouse,
enquanto eles usam rato (tradução do termo inglês); usamos Aids, a própria sigla
em inglês (Acquired Immuno deficience syndrome), enquanto eles usam Sida,
a tradução da sigla em português (síndrome de imuno deficiência adquirida). (Vandersí Sant’Ana Castro)
A propósito de um clássico de futebol,
Brasil x Portugal, realizado em Portugal há vários anos, o jornal O Estado de S. Paulo (29/03/2003,
Esportes) publicou uma matéria chamando a atenção para as diferenças entre o
“futebolês” usado pelos portugueses e o que se usa no Brasil. Veja parte da
matéria reproduzida abaixo:
“Começa
o amigado, a claque lota a bancada. Será hoje que a equipa lusa quebrará o
enguiço contra a equipa canarinha? E atenção: o avançado canarinho passa pelo
trinco luso e chuta, o fiscal de linha dá o fora-de-jogo, mas é marcado o
pontapé de canto. O elemento nuclear canarinho cobra o pontapé de canto e o
guarda-redes sai para defender. Bola no relvado, ela avança, o avançado que dribla
seu marcador. É GOLOOOOOOOO do camisola 9!

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