sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O português de Portugal



Em Portugal e no Brasil se fala português.  Mas há muitas diferenças na maneira de usar a língua lá e cá. Por exemplo: se um brasileiro for a Portugal e quiser tomar café com leite ou um “pingado” como se diz por aqui, ele tem várias outras maneiras de pedir sua bebida.  Pode pedir um “garoto” – é um café com leite servido em uma xícara de café (pequena), meio a meio, isto é, com a mesma proporção de café e leite.  Se quiser a mesma bebida, mas em porção maior, servida em uma xícara de chá, deve pedir uma “meia”.  Se quiser tomar um café com leite mais claro, com três partes de leite para uma de café, deve pedir um “galão”.  E se quiser só café, um “café preto”, como se diz no Brasil, deve pedir um “café cheio”.  E há muitos outros exemplos de diferenças no léxico.

Folheando uma revista de moda feminina, você poderá encontrar expressões como:  “vestido cai cai” (é o nosso tomara-que-caia); “sandálias em pele” (de couro);  “calções bem curtos” (shorts bem curtos) “fatos de banho” (roupa de banho ou maiô); ”sandálias rasas” (rasteira).

O escritor brasileiro Mário Prata publicou um dicionário com diferenças de vocabulário entre o português europeu e o português do Brasil, que lhe chamaram a atenção nos anos em que morou em Portugal.  Seu estilo é muito diferente do que se encontra em um dicionário tradicional, porque há muito humor nos seus verbetes.  Você conhece a palavra “autoclismo”?  É uma palavra corrente em Portugal.  Veja como Mário Prata (2011, p.33) inicia o verbete referente a esse termo:  “Autoclismo. Imagine que você está no banheiro de um restaurante  e o cartaz lhe diz, à entrada: por favor, não esqueça de carregar no autoclismo da retrete.  Pode ser traumatizante.  Preocupe-se: o que ele quer dizer é para você dar a descarga”.

Acho que você descobriu que “retrete” que ocorre no texto, é privada.  Noll (2008), em um estudo sobre o português do Brasil, inclui uma lista de diferenças lexicais entre o português europeu e o português usado em nosso país.  Citamos alguns exemplos: ao falar ao telefone, os portugueses usam “está lá?”, em vez do nosso alô; para alavanca de câmbio, usam “alavanca de velocidades”; para aeromoça, usam “hospedeira”;  para moça, usam “rapariga”; para Papai Noel, usam “Papai Natal”; em vez de celular, dizem “telemóvel”; em vez de secretária eletrônica, dizem “atendedor de chamadas”;  em vez de frentista, dizem “gasolineiro”; para trem, usam “comboio”; o que chamam de “rebuçado” é a nossa bala (doce); o que chamam de “bicha” é a nossa fila; para se referir a um cara, usam um “gajo”; favela chamam de “bairro de latas; meias (de cano curto), chamam de “peúgas”; cadarços, chamam de “atacadores”.  Ainda quanto ao léxico observa-se que usamos mais empréstimos do inglês do que os portugueses.  Por exemplo: usamos mouse, enquanto eles usam rato (tradução do termo inglês); usamos Aids, a própria sigla em inglês (Acquired Immuno deficience syndrome), enquanto eles usam Sida, a tradução da sigla em português (síndrome de imuno deficiência adquirida).             (Vandersí Sant’Ana Castro)

A propósito de um clássico de futebol, Brasil x Portugal, realizado em Portugal há vários anos, o jornal O Estado de S. Paulo (29/03/2003, Esportes) publicou uma matéria chamando a atenção para as diferenças entre o “futebolês” usado pelos portugueses e o que se usa no Brasil. Veja parte da matéria reproduzida abaixo:

“Começa o amigado, a claque lota a bancada. Será hoje que a equipa lusa quebrará o enguiço contra a equipa canarinha? E atenção: o avançado canarinho passa pelo trinco luso e chuta, o fiscal de linha dá o fora-de-jogo, mas é marcado o pontapé de canto. O elemento nuclear canarinho cobra o pontapé de canto e o guarda-redes sai para defender. Bola no relvado, ela avança, o avançado que dribla seu marcador. É GOLOOOOOOOO do camisola 9!


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